Por Redação
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o edital de concessão da Rota Agro Central, corredor de 887,6 quilômetros que liga Cuiabá a Vilhena (RO) e atravessa pontos estratégicos da Região Oeste de Mato Grosso. O trecho inclui a BR-070 entre Cuiabá e Cáceres, a BR-174 entre Cáceres e Comodoro e a BR-364 entre Comodoro, Sapezal e a divisa com Rondônia. A concessão terá prazo de 30 anos e prevê cerca de R$ 5,9 bilhões em investimentos.
Para o Oeste, o projeto alcança algumas das principais ligações utilizadas no deslocamento da população e no transporte da produção. Cáceres, Comodoro e Sapezal ficam diretamente inseridos no corredor, que também conecta a região a Cuiabá e Rondônia. A ANTT estima ainda a geração de milhares de empregos diretos, indiretos ao longo do período da concessão.
Embora seja um projeto distinto, a Rota Agro Central avança no mesmo momento em que o governo federal trabalha na ampliação da integração logística Brasil–Bolívia–Pacífico. Em março, o Ministério da Agricultura participou da assinatura de um termo para implantação e pavimentação de aproximadamente 148 quilômetros entre a MT-199, em Vila Bela da Santíssima Trindade, e San Ignacio de Velasco, na Bolívia.
Em junho, a pasta instituiu o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, voltado à conexão do setor produtivo brasileiro com mercados da Bolívia, da Ásia e do Pacífico. Os projetos não fazem parte formalmente de uma mesma concessão, mas podem integrar uma estrutura logística mais ampla de conexão do Oeste com novos corredores comerciais.
A presença de grandes projetos federais de logística no Oeste também reforça o debate sobre representação e capacidade de articulação política da região. Acompanhamento de cronogramas, defesa de investimentos complementares, obras de acesso e inclusão das demandas dos municípios exigem interlocução permanente com os órgãos federais. Para uma região atravessada por corredores estratégicos e de fronteira, ter voz nos espaços onde essas decisões são tomadas pode fazer diferença na transformação das grandes rotas em desenvolvimento para os municípios. Jornal Oeste