Por Jaconias Neto
A suinocultura brasileira encerrou 2025 com desempenho histórico, impulsionada pelo avanço das exportações e pela recuperação do setor após os impactos registrados em 2022 e 2023. Em Mato Grosso, os resultados acompanham o cenário nacional, com recordes tanto no volume exportado quanto no número de abates.
Um dos fatos mais relevantes do ano foi o reconhecimento do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação, medida que fortalece a credibilidade sanitária do país e amplia as possibilidades de acesso a novos mercados internacionais. Mato Grosso teve papel estratégico nesse avanço, mantendo elevados padrões de controle sanitário.
O ano também marcou uma diversificação dos mercados compradores da carne suína brasileira. As Filipinas assumiram protagonismo nas importações, reduzindo a dependência de destinos tradicionais como China e Hong Kong. Além disso, mercados exigentes como Japão, México e Chile ampliaram participação nas compras.
Segundo projeções da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 2% em relação ao ano anterior.
Mesmo com o aumento da oferta, o preço pago ao produtor apresentou valorização. Dados do Cepea indicam que, até o terceiro trimestre, houve alta de 10,8% nas cotações do produtor independente, sustentadas pela demanda firme no mercado interno e externo.
Entre janeiro e novembro, as exportações brasileiras de carne suína registraram crescimento de 10,8%, superando o volume de 2024, que já havia sido recorde. As Filipinas lideraram os embarques, respondendo por 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
Levantamento do Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) aponta que as exportações do setor passaram de US$ 59,97 milhões em 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo período de 2025, impulsionadas principalmente pela expansão da demanda asiática.
De acordo com o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o crescimento das exportações não comprometeu o abastecimento interno. “A produção respondeu à demanda, garantindo equilíbrio entre os mercados interno e externo”, destacou.
Para 2026, o principal desafio do setor será o controle dos custos de produção, especialmente diante do atraso no plantio da safra 2025/2026 e das incertezas quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O milho é um dos principais insumos da suinocultura, e eventuais perdas podem pressionar os custos.
Mesmo diante das preocupações, a expectativa do setor é de estabilidade nos preços, no consumo e nas exportações ao longo de 2026. Em Mato Grosso, a produção segue em expansão, mesmo sem aumento significativo do plantel, reforçando a eficiência e a capacidade de resposta do produtor local.