logo

"Muitos garimpeiros ficaram sem meios de ir embora", afirma coronel sobre situação na rodoviária


Entrevista concedida nesta terça-feira (23) destacou preocupações com vulnerabilidade social e riscos à saúde pública no terminal rodoviário

Por Daiana Cristina

Eduardo Souza

Durante entrevista concedida nesta terça-feira (23) à Tv Centro Oeste, o comandante regional da Polícia Militar, coronel Wesmensandro, comentou a situação de pessoas em vulnerabilidade social que permanecem no Terminal Rodoviário de Pontes e Lacerda. Segundo ele, o problema está diretamente ligado aos reflexos do fechamento do Garimpo Sararé, localizado em área federal.

Ao abordar a responsabilidade sobre a situação, o coronel afirmou que a questão vai além da esfera municipal.

“Eu nem sei se é só responsabilidade social do município. Muito pelo contrário. Foi um problema causado em uma área federal que desaguou aqui no município de Pontes e Lacerda”, declarou.

Segundo o comandante, muitos trabalhadores permaneceram na cidade após o encerramento das atividades no garimpo, sem recursos financeiros e sem condições de retornar para seus locais de origem.

“Foi fechado o garimpo e muitos garimpeiros ainda ficaram no município. Ficaram em situação de vulnerabilidade, sem dinheiro e sem meios de ir embora”, disse.

Wesmensandro também criticou atitudes que, segundo ele, acabam contribuindo para a permanência dessas pessoas no local.

“O que ocorre é que muita gente ainda ajuda essas pessoas do ponto de vista da pinga. O sujeito não ajuda com comida, mas ajuda com a pinga. As pessoas precisam se conscientizar e parar de dar bebida alcoólica para esse pessoal”, afirmou.

Outro tema abordado durante a entrevista foi a alimentação de pombos dentro do terminal rodoviário. O comandante alertou para os riscos sanitários decorrentes dessa prática. Segundo apurado pela Tv Centro oeste, esses garimpeiros estariam alimentando as aves. 

“Foi orientado que algumas pessoas evitassem dar comida aos pombos para evitar doenças aqui na rodoviária. Daqui a pouco pode haver um surto de doença relacionado a esses animais”, destacou.

O coronel também chamou atenção para o fato de que a alimentação das aves pode aumentar a população de pombos no local.

“Quanto mais você alimenta esses animais, maior pode ser o risco de doenças. Se você começa a alimentar, aumenta essa população de pombos”, explicou.

Durante a entrevista, Wesmensandro informou que a Polícia Militar pretende manter diálogo com a Prefeitura de Pontes e Lacerda para buscar alternativas que minimizem os impactos sociais causados pela situação.

“A prefeitura é séria, mas não é fácil resolver um problema desse tamanho. Nós tínhamos cerca de oito mil garimpeiros no Sararé e muitos ficaram no município após o fechamento do garimpo”, ressaltou.

O comandante afirmou ainda que a Polícia Militar continuará prestando apoio dentro de suas atribuições e defendeu a atuação conjunta entre município, Estado e Governo Federal para enfrentar o problema.

“Conta com a Polícia Militar. Vamos tentar minimizar esse problema, orientar essas pessoas e buscar um caminho possível até que a situação seja resolvida de forma definitiva”, concluiu.